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O Corpo de Jesus

O Corpo de Jesus

João 19:38-42

   Este trecho descreve detalhadamente como José de Arimatéia pediu a Pilatos o corpo de Jesus, como ele retirou o corpo da cruz, e como ele e Nicodemos cuidaram do corpo de Jesus, envolvendo-o em lençóis com especiarias antes de colocá-lo no túmulo. Não só destaca o cuidado de José, mas também sua coragem ao se expor publicamente como seguidor de Jesus, arriscando-se a sofrer perseguição.

   Imagine a cena... Voltando à crucificação! O sol se põe lentamente, tingindo o céu de laranja e vermelho. No alto de uma colina, três cruzes se destacam contra o horizonte. No centro, a cruz de Jesus, onde Ele está pendurado, seu corpo machucado e ensanguentado. Cada detalhe está impregnado de significado – as mãos perfuradas por pregos grandes e rudes, os pés unidos e transpassados, e uma coroa de espinhos cruelmente encravada em sua cabeça, fazendo o sangue escorrer por seu rosto sereno e firme.

   Ouça o som... O vento sopra suavemente, trazendo murmúrios de lamento daqueles que assistem de longe. O som dos passos pesados dos soldados romanos e o murmúrio baixo da multidão que observa com medo e curiosidade se misturam. A cada respiração difícil de Jesus, você quase pode ouvir o peso da dor e do sacrifício. "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem," Jesus murmura, sua voz carregada de compaixão e amor inabalável, ecoando nos corações de todos ali presentes.

   Sinta a emoção... Sinta a dor lancinante que cada prego causa ao penetrar suas mãos e pés. Imagine a força necessária para cada respiração, enquanto seu corpo cansado luta contra a asfixia. Sinta o peso do sacrifício, a agonia misturada com a paixão e a determinação de cumprir seu propósito. Toque o frio do metal dos pregos, a aspereza da madeira da cruz, e a umidade do sangue que escorre. Experimente a profunda sensação de amor incondicional que emana de Jesus, um amor tão intenso que Ele estava disposto a suportar tamanha dor para nos devolver a Deus.

   A Luz da Medicina o corpo de Jesus passou por um sofrimento físico extremo durante a crucificação, e várias respostas fisiológicas poderiam ter ocorrido tamanha a dor.

   O suor de sangue na noite anterior à crucificação, no Jardim do Getsêmani, Jesus suou sangue (hematidrose) devido ao estresse extremo (Lucas 22:44). Este fenômeno ocorre em situações de estresse intenso, onde os vasos capilares que alimentam as glândulas de suor se rompem, misturando sangue com suor.

   
Durante a crucificação, houve sangramento contínuo devido aos ferimentos causados pela flagelação, pelos pregos e pela coroa de espinhos que resultaram em uma perda significativa de sangue. Isso levou Jesus à exaustão, seu corpo estava em choque perdendo muito sangue até que finalmente morreu.

   É possível que Jesus tenha perdido o controle de suas necessidades fisiológicas devido ao extremo estresse físico e à falência múltipla dos órgãos. Em situações de sofrimento extremo e próximo à morte, o corpo pode liberar fezes e urina devido ao relaxamento dos músculos.

   A crucificação causa asfixia progressiva, já que o peso do corpo impede a respiração adequada. Cada respiração torna-se uma luta, levando a uma acumulação de dióxido de carbono no sangue e intoxicação respiratória.

   A dor experimentada por Jesus foi imensa, não apenas dos pregos e da coroa de espinhos, mas também dos músculos dilacerados e da posição estressante na cruz. Cada movimento para respirar agrava essa dor, especialmente nos nervos transpassados pelos pregos.

   A perda de sangue e fluidos, combinada com o estresse extremo e a dor, teria levado a um choque de circulação, reduzindo o fluxo sanguíneo aos órgãos vitais, produzindo falência múltipla dos órgãos.

   O sangue de Jesus escorria pela pele suada e ensanguentada. Ouvia-se o murmúrio da multidão e os gemidos de dor, enquanto as sensações de peso do corpo, dor dos pregos e calor do sangue eram palpáveis.

   Imagine a cena... José de Arimateia, com o coração cheio de compaixão, se aproxima da cruz. Ele olha para o corpo de Jesus, machucado e ensanguentado, ainda pendurado na madeira. Com autoridade, exige o corpo de Jesus. Com cuidado e reverência, começa a descer o corpo. O suor e o sangue de Jesus mancham suas vestes. Ao segurá-Lo, conecta-se profundamente com a dor e o sacrifício de Jesus. José não se importa com a sujeira ou o estado de morte. Ele envolve Jesus em um lençol limpo e o coloca em um túmulo novo.

   Ouça o som... O vento sopra suavemente, misturando-se aos sons dos soluços e murmúrios dos poucos fiéis presentes. A respiração pesada de José de Arimateia ecoa na quietude, misturada com o som do tecido que passa pelo corpo de Jesus enquanto ele O prepara para o sepultamento. O silêncio profundo após a morte de Jesus é interrompido apenas pelos passos firmes de José enquanto carrega o corpo até o túmulo. "Este é o meu Senhor," José murmura para si mesmo, sua voz carregada de devoção e tristeza.

   Sinta a emoção... Ele sente o peso do corpo de Jesus nos braços, 1,83 metros e 75 kg. Ele sente a textura do lençol que estava limpo, mas agora está manchado com o sangue e o suor de Jesus. Imagine a mistura de emoções – tristeza profunda pela morte do Mestre, mas também um senso de propósito ao cuidar de Seu corpo. José se envolve completamente, tocando e conectando-se com cada ferida, cada contusão, mostrando que a verdadeira cura e aceitação vêm da disposição de tocar as partes mais dolorosas e sujas do corpo de Jesus.

   Visualize a transformação... Pense em como José de Arimatéia não hesitou em tocar o corpo ferido de Jesus. Onde está esse José de Arimateia hoje? Quando escolhemos amar, servir, adorar, acolher, evangelizar e discipular, escolhemos ser como José de Arimateia. Como igreja, escolhemos abraçar as pessoas em seu estado mais quebrado, sem julgar, mas oferecendo amor e cuidado.

   A igreja é chamada a ouvir os gritos silenciosos de dor e sofrimento ao redor, respondendo com palavras de conforto que promovem cura e restauração.

   Envolver-se com as "infecções morais e religiosas" dos próximos não é fácil, mas é um chamado à verdadeira compaixão e cura. Ser uma igreja no modelo de Jesus é perder a sua reputação! Assim como José de Arimateia trocou as vestes sujas por um lençol limpo, como igreja hoje, devemos estar dispostos a nos envolver e limpar aqueles que chegam quebrados, cobri-los de amor até que encontrem a ressurreição em Cristo e se levantem da morte.

   A narrativa do cuidado de José de Arimateia pelo corpo de Jesus nos ensina sobre a coragem, devoção e compaixão necessárias para servir e amar sem medo das consequências. Como igreja, somos chamados a seguir esse exemplo, acolhendo e cuidando dos feridos e quebrados com amor incondicional, promovendo cura e restauração em um mundo necessitado. Assim, ao tocar e cuidar das partes mais dolorosas e sujas da vida das pessoas, refletimos o amor sacrificial de Cristo, trazendo esperança e transformação.

Deus abençoe sua casa, sua vida e sua família! 

Magda Lima 
Abba Church Marlboro 

(texto adaptado da ministração do Pr. Benhour Lopes, Domingo, 2 de Junho de 2024)

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